2.7.08

prémio lemniscata


Qual foi a a minha supresa, quando me deparo com uma nomeação de Pedro Marques por entre um conjunto de talentos linkados através do Prémio Lemniscata. Este prémio, sob forma de infinito, remete-me para o facto de que a consciência da magnitude do interessante é tal que por mais que se estude, reflicta, divague ou aprenda, parece sempre que a certo ponto tudo volta ao início, e chegamos à interrogação inicial, talvez com um sorriso frustrado de afinal não ter conhecimento de nada. Este pensamento não é novo, mas faz-nos tomar consciência do nosso pequeno tamanho e insignificância, neste mundo de mundos tão vastos de conhecimento e ignorância.
Agradeço a Pedro Marques o reconhecimento e, na sequência das regras do concurso e também do âmbito das reflexões de Pedro, invoco esta área em que nado, provando que afinal, a literatura poderá ser a expressão sob forma verbal, mas é necessária a expressão visual da linguagem para dar corpo à literatura. E é isso, a meu ver que trata a tipografia, o design editorial e, em última instância, o design gráfico e todas as formas de expressão visual que conjuguem o verbo e a sua componente gráfica. Os blogues que seleccionei valorizam a tipografia, a arte, comunicação e a dualidade racional/emotivo. Presumi que não se poderia eleger um blogue ao qual já teria sido atribuída a nomeação, porque se fosse o caso, o "Montag" seria incluído na lista. Outro critério foi o de seleccionar blogues em língua materna Portuguesa.

Segundo as regras do prémio, passo a explicar o conceito:

O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."

Sobre o significado de Lemniscata:

Lemniscata: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: Ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores
(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).
"Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente".
Texto da editora de “Pérola da cultura”.

E na sequência dos deveres de um premiado, passo o testemunho deste prémio aos 7 blogues seguintes:

Ressabiator, de Mário Moura
Tipografia em Portugal, de La Salete de Sousa
O Ensaio, de José Manuel Bártolo
Intensidez, de Ana de Sousa
Nem por todo chá na china, de Amanda Meirinho
What Remains is Future, de autor anónimo
Chapa Branca, de Hélio Teixeira

30.5.08

nuestros hermanos


É deveras muito bonita a paisagem que atravessa o sul de espanha até Gibraltar. Parei um pouco para tirar algumas fotografias, porque as cores conjugavam-se de uma forma fantástica. Aconselho vivamente a fazer a viagem de carro até lá, já porque o combustível é bem mais barato!


16.5.08

website !

Bom, como de vez em quando um designer gráfico também faz um cadinho de webdesign (que até se rege por alguns princípios semelhantes), a versão beta do meu website está online para testes.

http://sandrolopes.com.sapo.pt

17.4.08

a força das letras



A palavra. Base de toda a comunicação segundo este código alfabético que é a escrita. Significantes, significados, representados pela entidade letra, que se conjugam numa infinidade de possibilidades, encerrando em si a capacidade de despertar pensamentos e emoções a quem os entende, os interpreta. Mais do que uma forma de imortalizar memórias, as palavras são poderosas armas que motivam actos, sustentam crenças, testemunham sentimentos e pintam retratos, podem libertar quando estamos presos, e presos estando, podemos viajar.
A letra é, no entanto, uma forma, uma representação gráfica de um som, que se conjuga com outras. Necessita da tinta, da geometria, do peso e da cor para existir. A forma das letras interage com a nossa percepção, prejudicando ou beneficiando a leitura. Linhas de letras, intervaladas por espaços, escalas, métricas, orientam um discurso na nossa cabeça. Trata-se de dar um corpo à alma literária. Falo de tipografia. A tipografia é a expressão gráfica da linguagem verbal, e tem o poder de dar personalidade, ritmo e entoação ao discurso (...).

7.3.08

contexto



Tudo tem o seu contexto. Um espaço onde a existência tem o seu sentido. Existência de objectos, de palavras, cores, significados. Não faz sentido falar em DVD no anos 1920's, assim como não faz sentido falar em fotografia no renascimento. Nessa altura a impressão era jovem, os papéis raros, as tintas e as gravuras ainda mais. Faz sentido falar em rectângulo de ouro, em letra veneziana, sépia, sanguínea, preto. Toque e proximidade. Erudito e puro. Assim nasceu o primeiro da sequela dos livros da programação anual do Encontro de Música Antiga de Loulé.

4.3.08

retórica visual

Eu acredito que um designer trabalha a imagem da mesma forma que um escritor escreve um texto. Parece estranho, mas a verdade é que um exercício interessante será encontrar recursos estilísticos, ou figuras de retórica no tratamento das imagens. Se pensarmos na validade dos significados das palavras que lemos, ou imaginarmos as personagens e espaços narrativos e o tentarmos materializar na nossa mente, obteremos uma imagem.
O trabalho do designer trata de inverter o processo.

14.5.07

elogio do silêncio

Silêncio. O contrário do ruído.
Hoje em dia mergulhamos em ruído desde que nos levantamos até que nos deitamos.
Quando pensamos em ruído, facilmente pensamos no ruído auditivo, mas pode também ser visual. É lógico admitir que trabalhar na área do design nos traz todos os dias confrontos com ruídos, uma vez que para chegarmos a uma melodia, é necessário arranhar algumas notas primeiro, o que no processo empírico de design se traduz em tentativa/erro. A procura da forma, da cor, da letra certa. O objectivo é o equilíbrio: fazer com que todos os elementos da orquestra executem a sonata da melhor forma possível. O problema é quando convivem várias orquestras, e os músicos não sabem que partituras seguir, e quando se cruzam e entram em confronto, o resultado só pode ser ruído. Falo do excesso. Demasiadas forças a competir entre si, saber quem grita mais alto e melhor. E quem sofre com isso?...
Isto parece um pouco contraditório, vindo de alguém que participa activamente na criação dessas forças; mas então, como batalhar ou viver com isso? Aprendendo as melodias certas, evitando os desgarranços e os excessos, criando os contextos certos. É muito mais fácil encontrar uma ervilha no meio do arroz, do que um bago específico, não? Refiro-me à neutralidade, à criação de um ambiente que permita ouvir-se o que se tem a dizer, ou seja, antes do espectáculo, vem o silêncio.
Isto tem um modo prático de ser aplicado, e tem muitas vantagens. Consideremos um logótipo: um logótipo não é uma ilustração e não nos devemos esquecer do poder de síntese que ele deve encerrar. Mais uma vez invoco a premissa de quanto mais se quer dizer, menos se diz. A forma deve ser depurada, ter o menor número de elementos possível (seja forma ou cor) e ser conciso.
No extremo do contraste, o preto e o branco são a simbiose perfeita entre contexto e conteúdo. É graças ao silêncio do branco que se ouve o preto a tocar, ou vice-versa, e basta seguir um pouco essa conduta para conseguir uma comunicação eficaz.
Faço assim um elogio ao silêncio, à neutralidade. Todos nós andamos cheios de imagens, sons e cheiros em excesso e precisamos equilibrar as coisas, e não é por isso que perdemos a nossa humanidade. É impressionante a capacidade que temos de imaginar e raciocinar a partir de uma coisa tão pequena, como um ponto, por exemplo. Por vezes basta darmos uma peça a uma pessoa, que ela construirá o resto. Não é preciso darmos de “bandeja” tudo. É mais gratificante encontrar uma solução pessoal, do que nos dizer algo que já depreendemos à partida.
Venha o silêncio, para podermos pensar!